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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Ipê-Roxo, meu amigo - José Mattos

Ipê-Roxo, meu amigo

José Mattos - Santa Rita do Pardo, MS

Apeei do meu cavalo
Sob o ipê-roxo copado
Enquanto o Zaino pastava,
Eu fiquei acocorado
Imaginando o que sente
Um ipê abandonado
À sua volta é ermo
Desprovido de vizinhos
Somente terra e areia
Que açoitados pelo vento
Sufocam o ipê de poeira

Suas raízes grandes e retorcidas
Que brotam aqui e acolá
Esfoladas pelos cascos
Renitentes da vacada
Reina só o ipê-roxo
Distante de amigos e parentes
Que em seu tronco ferido
Chora resinas de dor
Levantei-me pra me ir
Quando ouvi um suspirar
De tristeza e comoção,

Sem jeito, escabreado
Enlacei o pobre moço
Dei-lhe um abraço apertado

O pobre se agitou
Por certo emocionado
Deu-me um banho de flor roxa
Que me deixou abobado
Bem, já lá vinha a noitinha
Assoviei pro meu Zaino
De um sarto sentei na sela
Dei tchau pro meu novo amigo
Que me retribuiu num muxoxo

– Tchau meu amigo, Ipê-Roxo!

Um dia Branco - José Mattos

Um dia Branco

José Mattos - Santa Rita do Pardo - MS

O dia cândido
Pousa sobre as coisas
Meus pensamentos brancos
Não me dizem nada

A manhã desliza quietinha
Nas ondas do tempo,
A vacada amuada
Se arrebanha, se encosta;
No canto da cerca...

Lá de riba descia um corguinho fino,
Descia... não desce mais:
Suas pernas fraquejaram,

Um TRATORZÃO amarelo
Pifou seu coraçãozinho;
Não desce mais...